O Som é só uma onda de compressão que se propaga através de um qualquer material. O ouvido humano está especialmente adaptado à captação da movimentação das partículas de ar percebendo-a como som.
Este é o mecanismo básico em que assenta toda a produção e perceção de eventos acústicos, de som.

O som de um pássaro, de um vulcão, de uma rua ou de um bosque, uma entrevista, uma reportagem, um disco de um intérprete celebrado, uma gravação esquecida que não foi incluída no disco comercial com milhões de cópias vendidas, uma notícia transmitida que relata um evento aparentemente banal mas que virá a revelar-se determinante na história de um país… Todos constituem o património sonoro nacional.

O objetivo do Arquivo Nacional do Som será simples: Assegurar a preservação desses eventos acústicos, gravados num qualquer suporte, e disponibilizá-los a todos.

E muitos são os sons, uns reconhecidos como património central à identidade de um país ou de uma comunidade, todos fontes históricas e científicas. De todos eles tratará o Arquivo Nacional do Som.

Atualmente existem mais de 400 instituições espalhadas pelo mundo com a missão de preservar o património sonoro, calculado muito genericamente em mais de 75 milhões de fonogramas nos mais diferentes suportes. Neste preciso momento, 15 milhões de pessoas subscrevem dois serviços de distribuição de conteúdos exclusivamente musicais. Só através de um desses sites, mil milhões de horas são vistas a cada dia e 500 horas de conteúdos são carregadas a cada minuto… São muitos documentos a ser criados, e é preciso conhecê-los e fixá-los.

Documentos
1) Soldado João Neves. Gravado a 8 de Agosto de 1918 no campo de prisioneiros de Merseburg. Preussische Phonographische Commission. Berlin Lautarchiv – Humboldt Universität (dado o contexto e o caráter delicado em que o documento foi recolhido sugerimos a consulta de mais informação aqui).
2) “Uma lição de gramofone num escritório de consignações (excêntrico)” (excerto) Isabel Costa, Jorge Bastos e João Rodrigues. Disco Simplex 14041, c. 1915. Museu do Fado.
3) “Gaivota” (excerto)  Amália Rodrigues (música de Alain Oulman, letra de Alexandre O’Neill). Com que voz (LP) Columbia YCPX 1926, 1970. EMI-Valentim de Carvalho.
4) Primeiro comunicado do Movimento das Forças Armadas lido por Joaquim Furtado. Rádio Clube Português, 25 de Abril de 1974. Arquivo RTP.
5) “Pássaros e ruído do aeroporto ao amanhecer. Bairro de Alvalade – Lisboa”. Gravado pelo antropólogo Filipe Reis, 2019. Filipe Reis.

“Os registos sonoros são documentos primários vitais do conhecimento e da condição humana. Assim sendo, a Associação Internacional de Arquivos de Som e Audiovisual (International Association of Sound and Audiovisual Archives – IASA) congratula-se com o facto de estarem a ser tomadas medidas para criar o Arquivo Sonoro Português. Enquanto autoridade internacional em arquivos sonoros e audiovisuais saudamos este projeto e apoiamos este esforço para tornar o Arquivo Nacional do Som em Portugal uma realidade e um sucesso.”

Toby Seay

Presidente da IASA